
Construção a seco entra na mira do luxo
Estruturas de aço, madeira engenheirada e vidros em projetos residenciais têm conquistado a confiança de incorporadores e clientes de alta renda no novo método.

Prazo de entrega, previsão orçamentária e customização atraem incorporadores e clientes para projetos de construção a seco de “casas industrializadas”, como essa fazenda do publicitário Roberto Justus STEEL CORP/DIVULGAÇÃO
Em 2022, o publicitário Roberto Justus reformou e ampliou sua fazenda no interior de São Paulo utilizando um novo método construtivo baseado em estrutura de aço de alta resistência — o “light steel frame”. Gostou tanto do resultado que resolveu comprar a empresa que fez a obra e incluí-la em um grupo focado em produtos com essa liga metálica: o Steel Corp.
O episódio confirma uma tendência em crescimento no mercado imobiliário de alto padrão no Brasil: projetos de construção a seco, em que a estrutura — vigas, paredes, pisos, esquadrias, telhados e revestimentos — é toda produzida em fábricas e apenas montada no canteiro de obras.
“Entre as vantagens estão o tempo de entrega, que cai pela metade, redução de 90% na geração de entulho, menor demanda de mão de obra e custo equivalente ao modelo em alvenaria”, afirma Daniel Gispert, CEO da Steel Frame Construction, construtora do grupo de Justus, que tem como sócia a gestora Reag Investimentos.

Vista livre: casa de vidro da Cinex deve ser implantada em locais com belas paisagens externas — Foto: CINEX/DIVULGAÇÃO
Em seu primeiro ano, a companhia já fechou R$ 160 milhões em contratos e deve faturar R$ 700 milhões ao longo de 2024, segundo o executivo. “Se considerarmos que apenas 10% da construção civil no Brasil é industrializada e que só 1% desse percentual utiliza nosso sistema, percebemos o tamanho da oportunidade que temos em mãos”, analisa.
A Espaço Smart, empresa paranaense de Ponta Grossa, especializada em construção a seco, vendeu 560 casas com esse tipo de estrutura somente em 2023. A partir deste ano, passará a utilizar aço de baixo carbono em sua linha de produtos.
No site da empresa, a solução “Loja de casas” oferece mais de 30 projetos de residências prontas. “A ideia é atender a quem tem um terreno, mas não quer passar por todo o processo de desenvolvimento de um projeto de arquitetura”, explica Fernando Scheffer, diretor de Marketing da empresa.

Na Serra Catarinense, projeto do arquiteto Spautz utiliza madeira engenheirada nas paredes para dar maior conforto térmico aos futuros moradores — Foto: FRANTHESCO SPAUTZ ARQUITETURA/DIVULGAÇÃO
Também do Sul, o arquiteto Franthesco Spautz, especialista em construção com madeira engenheirada que tem escritório em Florianópolis (SC), destaca a capacidade de customização que o novo método entrega nos projetos de alto padrão. “Quando bem executado, o projeto pode ser alterado ou ampliado sem a necessidade de demolir grandes áreas. É possível até desmontar a casa inteira e reconstruí-la em outro lugar”, explica Spautz.
Entre as obras em desenvolvimento está uma casa na Serra Catarinense. Na região — um dos poucos locais do país em que neva no inverno —, a questão do conforto térmico demandou mais atenção. “Usamos uma parede de madeira engenheirada com dez centímetros de espessura. Ela oferece proteção equivalente a 1,8 metro de concreto”, compara.

Em Bento Gonçalves (RS), a Cinex desenvolveu um projeto de casa de vidro de 56 metros quadrados para ser produzida em escala industrial. “É uma solução prática e rápida de moradia para o cliente do novo milênio que busca ter uma casa de campo ou praia e explorar a vista do entorno”, comenta Cesar Cini, diretor-presidente da empresa.
Com brises para modular a luminosidade e placas fotovoltaicas no teto, a casa pode ser entregue em qualquer lugar do Brasil em apenas 120 dias.
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